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O selo das Edições Macunaíma, criado em 1957 por Calasans Neto, Fernando da Rocha Peres, Glauber Rocha e Paulo Gil Soares, pretendia, a princípio, veicular obras de jovens escritores da Bahia que, pela carência do meio editorial, não tinham como veicular sua produção.

Com o passar dos anos firmou-se no território cultural baiano onde sempre se destacou pelas concepções gráficas e pela fidelidade a suas propostas: publicações em tiragens limitadas, com feitio semi-artesanal, em edições bem cuidadas, mas não necessariamente luxuosas.

Na tentativa de viabilizar o empreendimento, já que não havia recursos disponíveis, o grupo, apadrinhado pelos poetas Carvalho Filho e Godofredo Filho, intelectuais influentes, aproximou-se de Zitelmann de Oliva e Hélio Vieira de Santana, proprietários de uma pequena gráfica, situada na Rua 13 de Maio, antiga Rua das Verônicas, no Centro Histórico, nas proximidades do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural, do qual Godofredo Filho era diretor.

Desse modo surgiu a parceria entre Macunaíma e Artes Gráficas que, facilitando preço e prazo, permitiu a edição de vários livros da jovem literatura baiana.

 

Com a mudança de Glauber e de Paulo Gil para o Rio de Janeiro, a Macunaíma entrou em período de hibernação, publicando muito raramente e mantendo-se em atividade graças aos álbuns de gravura de Calasans Neto.

Em 1974, o poeta Humberto Fialho Guedes, na tentativa de revitalizar a editora, propôs uma nova parceria na qual foram admitidos como sócios, além do próprio Humberto, os poetas Florisvaldo Mattos e Myriam Fraga.

A morte prematura de Humberto Fialho Guedes, que pretendia transformar a Macunaíma numa editora comercial, arrefeceu os ânimos dos outros sócios que, a partir daquela data, resolveram assumir seu papel como editores bissextos.

Embora de maneira desordenada e esporádica, a Macunaíma publicou alguns dos mais importantes escritores da Bahia em edições que marcaram presença principalmente graças ao talento de Calasans Neto, seu ilustrador oficial.

Lamento da perdição de Enone
Casarões
Edições Macunaíma – 01.
A Ostra
Edições Macunaíma – 03.
Die stadt. [A cidade]
Marinhas
Edições Macunaíma – Livro de Luciano
Quarenta quase sonetos e uma sextantina hexagonal para viola d’amore
O Deserto e a Loucura – Carvalho Filho
Edições Macunaíma – Percegonho Céu Azul do Sol Poente – Guido Guerra
Edições Macunaíma – 02.
A Cidade
Inquisitorial
Canções de água doce
Edicções Macunaíma Alberto Luiz Baraúna
Edições Macunaíma Enone
Glaubelena
A lenda do pássaro que roubou o fogo
Sesmaria – 2 Ed
Os Deuses lares
Edições Macunaíma – Vinicius de Moares
Livro de Luciano, Odorico Tavares
O deserto e a loucura
Diluviano
Edições Macunaíma Casarões
Pecador Contrito aos Pés de Cristo Crucificado
Sete Poemas
Cinco Sonetos
A traiçoeira invenção da noite
Six poems by Myriam Fraga. [Seis poemas de Myriam Fraga]
O sobrevivente
A Ilha
Sesmaria
Livro dos Adynata
Edições Macunaíma – Vinícius de Moraes
Mel da noite
Flor do sertão: breve notícia do amor infeliz da moça Leonídia pelo poeta Castro Alves

Livros das Edições Macunaíma ilustrados por Calasans Neto

 

  • 1957   Samba de roda, Frederico José de Souza Castro
  • 1958   Mel da noite, Carvalho Filho
               Pecador contrito aos pés de Cristo crucificado, Gregório de Mattos
               Pedro Pedra o nervo na pedra, Glauber Rocha
               Prece calada, Carvalho Filho
  • 1959   Hera da morte, Carvalho Filho
               Sonetos, Gregório de Mattos
               A ostra, Péricles Dinis
               Glaubelena, Paulo Gil Soares
               Lamento da perdição de Enone, Godofredo Filho
  • 1960   Noturno, Carvalho Filho
  • 1961   Sonetos ingleses de José Albano, tradução de Jair Gramacho
  • 1962   ABC da arte e do amor de Calasans gravador, Glauber Rocha
               A traiçoeira invenção da noite, David Salles
  • 1964   Marinhas, Myriam Fraga
                Do herói inútil, Sonia Coutinho
                Diluviano, Fernando da Rocha Peres
                Rurais, Fernando da Rocha Peres
  •  1965    Reverdor, Florisvaldo Mattos
                Sonetos, Fernando da Rocha Peres
  • 1966   O sobrevivente, Carlos Eduardo da Rocha
               Cinco poetas, Godofredo Filho, Carvalho Filho, Florisvaldo
    Mattos, Fernando da Rocha Peres, Myriam Fraga
               Inquisitorial, José Carlos Capinan
  • 1968   O defunto, Pedro Nava
  • 1973   Livro dos Adynata, Myriam Fraga

 

  • 1974   Poemas bissextos, Fernando da Rocha Peres
               História Natural de Pablo Neruda ou Elegia que vem de longe, Vinicius de Moraes
  • 1975   A casa, Vinicius de Moraes (ilustrações de Carlos Bastos, projeto gráfico de Calasans Neto)
              Livro de Luciano, Odorico Tavares
             Quarenta quase sonetos e uma sextantina hexagonal para viola d’amore, Alberto Luís     Baraúna
             O deserto e a loucura, Carvalho Filho
  •  1976   A ilha, Myriam Fraga
               Ciclo de navegação Bahia e gente, José Carlos Capinan
               Fábula civil, Florisvaldo Mattos
  • 1979   A cidade, Myriam Fraga
  • 1980   Altaonda, Olga Savary
  • 1983   Gregório de Mattos e Guerra: uma revisão biográfica, Fernando da Rocha Peres
  • 1984   A lenda do pássaro que roubou o fogo, Carlos Pita e Myriam Fraga
              Dois poemas para Glauber Rocha, Florisvaldo Matos e Fernando da Rocha Peres
  • 1985   Las águas del tiempo, Betty Morton
                Livro de Celina, Humberto Fialho Guedes
                Olho de gato, Claudius Portugal
                Six poems, Myriam Fraga
  • 1986   Elegia para Manuel Bandeira, Eurico Alves Boaventura
                Os eternos tormentos, Maria da Conceição Paranhos
                Flor do sertão, Myriam Fraga
  • 1987   25 sonetos da Bahia Antiga, Silva Dutra
  • 1989   Canções de água doce, Expedito Almeida
  • 1992   Deuses lares, Myriam Fraga
  • 2000   Sesmaria, Myriam Fraga
  • 2002   Natal das crianças negras, Cyro de Mattos